O Rock in Rio destacou-se mais uma vez em Lisboa, não só pela música mas também pelo seu projecto social e a importante mensagem que tenta transmitir ao máximo de pessoas possível. A divulgação desta mensagem é cada mais relevante, ou não fossem as Alterações Climáticas – o tema deste evento em 2008 – um problema cada vez mais urgente. Deste modo, perante aproximadamente um milhão de pessoas em Lisboa e Madrid durante todo o evento, muitas das quais vindas propositadamente de outros países, a organização está a cumprir a sua responsabilidade ao sensibilizá-las para se preocuparem mais com o ambiente.
A sensibilização foi evidente dentro do recinto, através de stands de vários parceiros do Rock In Rio ligados ao ambiente, dos painéis solares expostos no palco mundo e das mensagens transmitidas pelos artistas músicais.
Espalhados pelo recinto, em locais visíveis e acessíveis, estavam os stands da ADENE, da Greenpeace e da Sociedade Ponto Verde, nos quais os seus representantes foram entrevistados.
A ADENE (agência para a energia) promovia a eficiência energética nas casas do seu público e através de um concurso, no qual após pedalar numa bicicleta até encher uma barra de energia, altura em que as equipas concorrentes poderiam responder a uma pergunta sobre eficiência energética. O objectivo era contribuir para que a nova geração, que irá comprar casa no futuro, faça uma escolha informada, sobre a gestão de energia na sua casa.

O Stand da Greenpeace era completamente amigo do ambiente: a estrutura era em madeira, as tintas à base de água e os 144 Volts de energia eram fornecidos por painéis solares instalados no telhado, o que demonstra a facilidade em fazer um stand esteticamente agradável e com pouco impacto ambiental. A campanha da Greenpeace, uma petição para apresentar na cimeira dos G8, teve um balanço positivo, tendo sido recolhidas mais de 10000 assinaturas só nos dois primeiros dias, e um incondicional apoio por parte de vários músicos, entre os quais Rui Veloso. Numa tentativa de alterar comportamentos, constava um vídeo onde eram descritas simples acções que cada um pode tomar no seu dia-a-dia, apelando à eficiência energética global.
A Sociedade ponto verde oferecia prémios por cada dez copos de plástico, papel ou garrafas recicláveis depositadas num contentor gigante transparente. As pessoas, ao aderirem a esta iniciativa estavam a ajudar, consciente ou inconscientemente a limpar o recinto, o que era notório na zona mais próxima deste stand. Este concurso tinha também uma componente lúdica e pedagógica ao ensinar ou relembrar a todos os participantes e observadores a importância da reciclagem, de uma forma divertida.

As energias renováveis estavam representadas pelos painéis solares no palco mundo e por uma turbina eólica no stand do grupo renascença. Se por um lado os painéis solares do palco mundo estavam expostos apenas como exemplo de uma boa prática energética, por não estarem a ser utilizados durante o concerto para produção de energia (ao contrário do que aconteceu durante a montagem do palco), a turbina eólica do grupo renascença servia também para suprir os 2000 Watts necessários para iluminação e equipamentos eléctricos.
De um modo geral, os artistas tentaram transmitir boas práticas ambientais ao público que assistia aos concertos, alguns por iniciativa própria, embora a organização tivesse a preocupação de os incentivar.
Quanto às pessoas inquiridas, apercebemo-nos que muitas delas desconheciam o tema deste evento, achando assim que era essencial haver mais informação sobre este em locais públicos e maior divulgação pela comunicação social, no entanto devido a mensagens que estavam a ser exibidas no Palco Mundo, estas foram tomando conhecimento da principal preocupação da organização e algumas interiorizando a mensagem, passando depois estas informações aos seus conhecidos. Perante a pergunta “Se fossem da organização, o que mudaria relativamente às práticas de boa educação ambiental dentro do recinto” a maior parte dos inquiridos respondeu, que achavam importante que à entrada do evento a organização distribuísse pelas pessoas um saco para colocar o lixo e cinzeiros.
Trabalho realizado por: Sónia Amaral, Mariana Pinto e Pedro Silva.