2. INTRODUÇÃO

2.1 Enquadramento

A qualidade ambiental das praias tem vindo a adquirir uma importância crescente entre os critérios de escolha de destino turístico. Apesar de nos últimos anos a legislação ter evoluído no sentido do ordenamento da zona costeira e do tratamento de águas residuais, o único indicador da qualidade relacionado com a saúde publica que pode permitir aos utentes uma escolha orientada, é a qualidade da água balnear.

Justifica-se o estudo da qualidade microbiológica da areia, tendo em consideração que a actual directiva 2006/7/EC defende toda uma estrutura de protecção de qualidade da água balnear e zona envolvente bem como a saúde dos seus utilizadores.

Também a Organização Mundial de Saúde no guia “Guidelines for safe recreational waters Volume 1 - Coastal and fresh waters” (publicado em 2003)exprime a preocupação com a qualidade das areias da praia por estas poderem constituir um reservatório de agentes de infecção, sobretudo em zonas balneares onde a utilização da areia apresenta maior relevância.

Perante esta motivação, a Associação das Bandeiras Azuis para a Europa, o Instituto do Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e o Instituto do Ambiente reuniram esforços no sentido de desenvolver mais este projecto para validar a metodologia desenvolvida em estudos anteriores e alargar a sua aplicação ao território insular.

2.2 Historial

Em 2001, no âmbito da campanha «Areia Limpa, Praia Saudável» promovida pela Associação Bandeira Azul, realizou-se um estudo que envolveu directamente o Instituto do Ambiente (IA) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), entre outros parceiros, que teve como objectivo seleccionar os indicadores de qualidade que melhor caracterizam a contaminação microbiológica das areias das praias, propor os respectivos valores de referência e os métodos de análise mais adequados para a determinação dos indicadores seleccionados.

Posteriormente ambas as entidades, no âmbito de um projecto europeu – “Improving Costal and Recreational Watwers” (ICREW) – procederam à revisão, validação e desenvolvimento de alguns conceitos.      

As conclusões de ambos os estudos foram as seguintes:

  1. Para a monitorização da qualidade das areias das praias, é suficiente a análise da areia seca. A água fornece informação que pode dispensar a análise da areia molhada pois foi demonstrada uma correlação positiva entre estes dois parâmetros.
  1. Os parâmetros químicos ensaiados evidenciam pouca sensibilidade na avaliação do teor de matérias oxidáveis presentes na amostra.
  1. Os indicadores com melhor desempenho foram os coliformes totais, a Escherichia coli e os enterococos intestinais em Bacteriologia e os fungos leveduriformes, fungos potencialmente patogénicos e alergogénicos e dermatófitos, em Micologia. (Tabela 1)
  1. Os métodos escolhidos foram: o método de sementeira por espalhamento baseado em Bernard, et. al 1989 para os parâmetros micológicos e o método cromogénico e/ou fluorogénico com determinação do número mais provável (Colilert® e Enterolert® -  Idexx) para as determinações bacteriológicas.

Os parâmetros a pesquisar, (Tabela 1) os valores máximos admissíveis (VMA) e recomendados (VMR) usados neste trabalho foram os publicados no relatório final do projecto”Qualidade Microbiológica das Areias das Praias Litorais”, realizado em 2002 . Durante o estudo a que se refere o presente relatório, foi feita uma revisão de congruência dos VMR micológicos com os VMR dos parâmetros bacteriológicos, representado doravante pelos Novos Valores Máximos Recomendados (NVMR) – ver Tabela 2

Parâmetros Micológicos:

Foram considerados fungos com forte associação ao Homem e animais homeotérmicos e potencialmente patogénicos, por contacto, inalação e ingestão. Estes distribuem-se em 3 parâmetros: (Fungos leveduriformes, Fungos filamentosos potencialmente patogénicos e/ou alergogénicos e Dermatófitos - Tabela 1)

Estes parâmetros reflectem a qualidade microbiológica da areia de uma forma genérica e não consideram pesquisa específica de todos os patogénicos ou de outros organismos não bacterianos ou fúngicos.

Parâmetros Bacteriológicos:
Como parâmetros bacteriológicos indicadores da qualidade das areias, foram escolhidos os usados na classificação da qualidade de águas balneares (Bactérias coliformes, Escherichia coli, Enterococos intestinais - Tabela 1)


Tabela 1 : Parâmetros microbiológicos a analisar.


Micologia

Bacteriologia

Fungos leveduriformes

Fungos filamentosos potencialmente patogénicos e/ou alergogénicos

Dermatófitos

Candida albicans
Candida sp (Outras)
Cryptococcus neoformans
Outras leveduras

Aspergillus fumigatus
Aspergillus niger
 Aspergillus sp (Outros)
Chrysosporium sp
Fusarium sp
Scytalidium sp
Scedosporium sp
Scopulariopsis sp
Outros

Trichophyton sp
Microsporum sp
Epidermophyton sp

Bactérias coliformes

Escherichia coli

Enterococos intestinais

Tabela 2 : Valores máximos recomendados, novos valores máximos recomendados (resultado de revisão dos valores máximos recomendados durante a realização deste estudo) e valores máximos admissíveis


Parâmetros

VMR

NVMR

VMA

Leveduras

30 pfc/g

3 pfc/g

60 pfc/g

Fungos potencialmente patogénicos

70 pfc/g

5 pfc/g

85 pfc/g

Dermatófitos

1 pfc/g

1 pfc/g

15 pfc/g

Coliformes totais

5 pfc/g

5 pfc/g

100 pfc/g

Escherichia coli

1 pfc/g

1 pfc/g

20 pfc/g

Enterococos intestinais

1 pfc/g

1 pfc/g

20pfc/g

  

Estes parâmetros reflectem a qualidade microbiológica da areia de uma forma genérica e não consideram pesquisa específica de todos os patogénicos ou de outros organismos não bacterianos ou fúngicos.

Histoplasma sp., Coccidioides sp., Exophiala sp., Fonsecae sp., Phialophora sp., e/ou outros, que tenham importância clínica relevante, quando presentes como espécie predominante em quantidade significativas (> 500 pfc./g).